Mobiliário

Os móveis estiveram ao longo de muito tempo expostos nas galerias deste museu como peças essenciais para a decoração dos espaços, para a reconstrução do ambiente da época e também como suportes museográficos, surgem agora, na exposição permanente, valorizados em si mesmos.

A coleção de mobiliário é constituída por um significativo número de peças que integra exemplares de diversas tipologias, num universo cronológico que vai desde o século XVII até à segunda metade do século XX. Revelam o gosto requintado de fidalgos de província e a sumptuosidade dos paços eclesiásticos.

O mobiliário civil português está amplamente representado com os três grandes estilos que marcaram o século XVIII em Portugal, designadamente “D. João V”, “D. José” e “D. Maria I”, que permitem identificar algumas soluções técnicas, morfológicas e estéticas, numa época particularmente criativa e receptiva de grandes influências estrangeiras.

Arqueologia

Embora a coleção de arqueologia do Museu Nacional Grão Vasco não seja uma coleção de valor excepcional, possui no entanto algumas peças bem importantes. É o caso de um fragmento de uma ara votiva, cuja proveniência se desconhece, que é o resultado da expressão da devoção popular a uma divindade indígena pré-romana da região de Viseu, COSEI, até agora desconhecida, vindo a estender mais a sul o culto a esta divindade, até então conhecida em castros do norte do país e da Galiza.

Outra obra da coleção que  prova uma vez mais o sincretismo entre as religiões romana e indígenas é uma ara votiva com inscrição romana datável séc. II, de Cavernães, com a seguinte tradução: Lúcio Valerio Caturo levantou (esta ara) ao deus Lurúnio (em cumprimento do voto) do pai, Sateilo, muito agradecido.
A primeira notícia sobre as inscrições de Cavernães é-nos fornecida por Manuel Botelho Ribeiro Pereira na sua obra “Diálogos Morais e Políticos” (escritos entre 1630 e 1636), depois dele outros autores se interessaram nomeadamente Frei Agostinho de Santa Maria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desenho

Valiosa coleção de desenhos de inquestionável qualidade artística, estão inscritos no universo temporal que vai do séc. XVIII à 2.ª metade do séc. XX.

Sobre a temática abrangente do “Corpo”, constam estudos de pormenor de figura até ao desenho acabado, desvelando as linguagens e coreografias do corpo, nu ou habitado.

Sobre o “Sagrado e o Profano”, os desenhos do MNGV ilustram ambas as tendências, com a continuidade de temas seculares até às composições mundanas, no decurso do séc. XIX e XX.

Para o século XVIII, o discurso iconográfico encena-se em torno das imagens humanizadas de Maria, de santos, apóstolo e anjos. Os desenhos preparatórios de fundamento religioso para obras de vulto são da mão de Vieira Lusitano e têm um caracter essencialmente descritivo. Os desenhos acabados de composição ou autónomos encontram em Domingos Sequeira o derradeiro fôlego de significado teológico.

Os desenhos que versam temas profanos constituem a maioria dos objetos do museu. Os conteúdos profanos dos desenhos dos últimos séculos não exibem a complexidade simbólica e iconográfica dos acima mencionados. Retratos, paisagens, temas históricos e de vida quotidiana que atraem o imaginário de artistas contemporâneos, de um naturalismo sensível e táctil, refletem o sentido cultural de uma nova sociedade.

A “Paisagem e narrativa”, nesta coleção vislumbram-se os contornos e a forma de um novo sentimento estético pela mão de Tomás da Anunciação, que transcreve num expressivo desenho elementos que habitam a natureza: animais e homens.

As composições prendem-se em narrativas de costumes apontadas com deleite, em temas extraídos da vida quotidiana, tipos simples que despertam emoções, fainas agrícolas. Retrato de um país mais rural que urbano.

O “Retrato”, o destaque vai para os desenhos de Columbano – que obteve fama de exímio retratista, tendo recebido e executado numerosas encomendas de clientes e personalidades ilustres do seu tempo – ainda que sejam estudos acabados para uma obra de vulto, e que tenham sido feitos na ausência do modelo vivo, conseguem reproduzir com fidelidade e vigor as personagens, captando na ficção do retrato a presença do modelo.

Com António Carneiro rompe-se definitivamente com o retrato de género de compleição convencional. Trata-se do registo íntimo do retratado em que o artista pretende comunicar a plausabilidade psicológica e a carga emocional do sujeito penetrando na sua essência, são testemunhos de uma relação de cumplicidade entre o artista e o modelo.

Espólio documental

Reúnem-se neste arquivo cerca de 1300 documentos, 17 livros manuscritos e 4 selos avulsos, abarcando uma cronologia que se estende dos séculos XIII ao XX, na sua maioria provenientes do cartório do cabido da Sé de Viseu.

Parte deste valioso património documental, que, contrariamente ao previsto, não transitou para o recém-criado Arquivo Distrital de Viseu (janeiro de 1932), foi dado a conhecer em 1955, no início da direção de Fernando Russell Cortez, quando o tenente e musicólogo Manuel Joaquim trouxe a público a notícia de um conjunto de cartas-missivas quinhentistas, de dois Antifonários e de um livro setecentista de cópia dos antigos privilégios do cabido, avançando desde logo com uma meritória tentativa de inventário de um conjunto de pergaminhos.

Vidro

A constituição desta coleção é na sua maioria de objetos de uso doméstico de meados do século XX, produzidos nas fábricas da Marinha Grande, que conjugam formas inovadoras e de inúmeras tonalidades.

Destaque para as peças de Jorge Barradas (1897-1971), datadas de 1930, produzidas na Marinha Grande, que acompanham uma tendência de reprodução e recriação de motivos portugueses, que já vinha sendo desenvolvida desde o início da década de 1920. Entre muitos outros artistas, a decoração do vidro pintado a esmalte, produzido na Marinha Grande, durante as décadas de 1940 e 1950, refletiu precisamente essas temáticas, evocando tradições regionais e nacionais através de aspetos do artesanato e do folclore de Portugal.

Seguindo de perto as técnicas de decoração dominantes nas fábricas da Boémia, as fábricas portuguesas adotaram uma enorme variedade de esmaltes coloridos na decoração das suas peças a partir da década de 1940. São escassos os exemplares na coleção, que surgem, de acordo com a exuberante gramática decorativa da Art Déco

 

Metais

Esta coleção tem particular importância pela presença de um significativo conjunto de alfaias de culto, com destaque para as cruzes processionais do séc. XIV ao séc. XVI, uma Caldeirinha em cobre do séc. XVI e pratos de oferendas do séc. XV, de latão, obras das oficinas de Nuremberga.

Gravuras

A coleção de gravura do museu é constituída por cerca de 50 obras. Destaque para as obras de Angélica Kauffman, produzidas pelo notável gravador Francesco Bartolozzi (Florença, 1727 – Lisboa, 1815).

Uma referência especial para a obra Patrulha de reconhecimento na terra de ninguém, de Adriano de Sousa Lopes enquanto oficial-artista do Corpo Expedicionário Português e o único pintor oficial do Exército em França nos anos de 1917 e 1918, com a missão de documentar a participação portuguesa na frente ocidental, que produziu no rescaldo do conflito.

Fazem ainda parte desta coleção, obras de José Contente, que se notabilizou no campo do desenho e da gravura, e uma interessante série de gravuras sobre Alfama de Attila Mendly De Vetyemy.

 

 

 

 

 

Informações

Museu Nacional Grão Vasco
Paço dos Três Escalões, Adro da Sé,
3500-195 Viseu
T.: +351 232 422 049 / 232 467 340
geral.mngv@museusemonumentos.pt
Diretora: Odete Paiva

Horário:
Abertura: 3ª feira a Domingo
10h00 – 13h00 das 14h00 – 18h00

Última entrada 30 minutos antes do encerramento.

Encerramento: 2ª feira | 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio, 21 de setembro (feriado municipal) e 25 de dezembro.

Gratuitidade de Acesso

Museu Nacional Grão Vasco gratuito em qualquer dia da semana.

Desde 1 de agosto de 2024, os portugueses e residentes em Portugal podem aceder gratuitamente a 37 museus, monumentos e palácios 52 dias por ano, a qualquer dia da semana, mediante apresentação do Cartão de Cidadão)
 

GPS: Lat: 40,66017370932212 Long: -7,910805347290761

Bilhete normal 10,00€

Bilhética geral MMP – consulte aqui
Bilhética on-line MMP – adquira aqui

Condições de ingressos no Museus e Monumentos da E.P.E.
(despacho nº 13793/2024) – consulte aqui

Isenções:

. Portugueses e residentes em território nacional – Voucher 52
. Crianças e jovens até aos 12 anos, inclusive;
. Visitantes em situação de desemprego residentes na União Europeia;
. Investigadores, profissionais de museologia e/ou património, conservadores e restauradores, desde que em exercício de funções;
. Membros do ICOM, ICOMOS e APOM e trabalhadores dos organismos tutelados pelo Ministério da Cultura;
. Professores e alunos de qualquer grau de ensino superior, incluindo Universidades Sénior e instituições de formação profissional credenciados, quando comprovadamente em visita de estudo;
. Grupos com comprovada carência económica;
. Membros de Grupos de Amigos dos MMP dependentes da Direção Geral do Património Cultural;
. Funcionários, voluntários e estagiários dos serviços centrais da DGPC ou dos MMP e um acompanhante;
. Antigos combatentes e para a viúva ou viúvo de antigo combatente, detentores dos cartões referidos no Estatuto do Antigo Combatente, aprovado no Anexo I da Lei nº 46/2020, de 20 de agosto;
. Visitantes com incapacidade comprovada igual ou superior a 60% e 1 acompanhante;
. Profissionais de turismo ou da comunicação social, incluindo as novas plataformas digitais, desde que credenciados e em exercício de funções;
. Visitantes em eventos corporativos ou situações ocasionais;
. Outras situações com enquadramento Legal
 

Descontos:

. 50% Visitantes com idade igual ou superior a 65 anos.
. 50% Jovens entre os 13 e 24 anos.
. 50% Bilhete Família (1 adulto mais um mínimo de 2 menores de 18 anos)
. 20% Protocolos com entidades terceiras
. 7,5% Aquisições superiores a 250 bilhetes.
. 10% Aquisições superiores a 500 bilhetes.
. 15% Aquisições superiores a 1000 bilhetes.

Normas gerais:

. É obrigatória marcação prévia para grupos superiores a 50 pessoas.
. Os vouchers emitidos na aquisição antecipada de bilhetes têm a validade de 1 ano.
. Os descontos de quantidade não se aplicam a Bilhetes de Circuito.
. Os descontos não são acumuláveis.
. É proibido fumar ou comer em qualquer local do circuito de visita.

Acessibilidade

Acessibilidade total a todas as áreas públicas para pessoas com mobilidade reduzida (elevador, acesso ao claustro para cadeira de rodas através do uso de tratorino).

 

 

Cafetaria

O espaço de CAFETARIA do museu dispõe de duas salas confortáveis, com uma decoração sóbria e contemporânea.
Este espaço tem lotação para 32 lugares sentados.

Horário de funcionamento:
3.ª feira: 14h00-18h00
4.ª feira a sábado:10h00-13h00 | 14h00-18h00
Domingo: 10h00-14h00 | 15h00-18h00

(atualmente não se encontra concessionada)

Para mais informações:
T. 232 422 049

 

 

 

 

Auditório

Espaço com 73 m2, pavimento revestido a granito, com capacidade para cerca de 80 lugares sentados e 100 em pé.
Possui equipamento audiovisual – computador, projetor e ecrã (4,5m x 3,5m).